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O Presépio de Anita - Cultura e tradição no Vale do Capão

Atualizado: 1 de dez. de 2025



“Tia Anita fazia seu presépio deste os seus 9 anos de idade, essa vontade nasceu por ver as pessoas mais velhas fazendo e como ela sempre foi católica e gostava muito de louvar ao Menino Jesus, achou interessante fazer a sua própria lapinha (presépio). O seu presépio era enfeitado com arranjos que encontrava no mato. Quando foi ficando mais moça ganhou o seu primeiro Menino Jesus das mãos do seu Pai e seguiu fazendo o seu presépio por quase noventa anos na sua casa da Rua dos Brancos. Com o tempo, o Presépio foi ganhando a atenção dos moradores e familiares. A louvação a Deus Menino acontecia na noite de 24/25 de dezembro onde se rezava toda a noite até o amanhecer, na vigília. Com isso era servido café, bolo, chá e uma cachaça com ervas, comum nas festas da comunidade. No dia seguinte, ela oferecia um almoço (ceia) à toda a família e afilhados, éramos muitos, festa abundante garantida. O presépio só era desmontado depois de alguns meses, ficando aberto à visitação e recebia o terno de Reis no dia 06/01.Ela gostava de desmontar o presépio depois do seu aniversário que era dia 27/02, mas sempre dizia q por ela continuaria montada o ano inteiro. Cada brinquedo da lapinha tem uma história, eram presentes, mimos de pessoas que gostavam de trocar um dedo de prosa com ela e como a sua história é muito envolvente, as pessoas faziam suas doações e logo faziam também parte do seu presépio.Quando ela foi ficando mais velhinha, eu comecei a ajudá-la nesta missão. No início como ajudante e aos poucos sob seu comando, pois ela já não tinha mais forças para montar. No dia 24 íamos lá para ela receber as visitas e toda a beleza q ela emanava, No final da jornada ela morava na vila com a minha mãe Dalva, sua irmã, que cuidou dela até a sua passagem em 2021. Nascida em 27/02/1925, faleceu aos 96 anos, ainda lúcida.Em 2022 ainda realizei a feitura do presépio, mas agora está suspensa por alguns anos, até que possamos reavivá-lo, pois é um acontecimento que transcende a sua existência.É uma matriz da nossa cultura e ancestralidade. Com fé, logo menos voltaremos a monta-lo.”


Vilma Araújo



 
 
 

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